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1 17/08/2019 05:00

Cristina Pita

As siamesas Laura e Laís nasceram unidas pela bacia e abdômen, têm quatro pernas, dividem o fígado, o intestino grosso, o intestino delgado e a bexiga, além de compartilhar um único órgão genital. Este será o 19º procedimento de separação realizado no HospitaI Materno-infantil de Goiânia.

"O quadro é complexo", avaliou o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, do Hospital Materno-infantil de Goiânia. "Normalmente, a cirurgia de separação é feita até um ano de idade. Laura e Laís dividem uma grande extensão do corpo e, para a cirurgia, precisam de muita pele. Elas passarão por procedimentos com expansores, em seis, oito meses ou um ano, as duas estarão separadas", acredita  o médico.

Depois de percorrer algumas unidades de saúde da região do Baixo Sul do estado, que não puderam receber a mãe das gêmeas siamesas, Laura e Laís, por falta de estrutura, Liliane Santos da Silva, de 35 anos, foi acolhida na Maternidade Luiz Argolo, mantida pela Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus. O parto aconteceu na última quinta-feira (15/8).

Liliane, que já tinha dois filhos, de 8 e 17 anos, sofreu uma hemorragia no pós-parto e teve retirado o útero. Na quinta, ela saiu da UTI, mas permanece internada com quadro de saúde estável.

A tia das siamesas, Liana Sabtos, acompanhou as bebês, que estão unidas pelo abdômem e compartilham o fígado, rim, bexiga e um órgão reprodutor, além da bacia e parte do intestino, estão internadas no Hospital Materno-Infantil de Goiânia

Elas, que pesam 3.798 kg, seguiram na noite de quinta em UTI Móvel até Feira de Santana, de onde seguiram em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) até Goiás.

Conforme nota divulgada, na sexta (16/8), pelo HMI, elas estão internadas na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (Ucin) com quadro estável e começaram uma dieta via oral.

A nota destacou que ainda não tem data definida para a cirurgia, pois outros exames devem ser realizados. O o caso está sendo avaliado pela equipe coordenada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil. A complexidade principal é o compartilhamento de quatro órgãos, três deles vitais.

Zacharias Calil explica que nenhuma mulher está livre de gerar um feto com essa patologia. Segundo o cirurgião pediátrico, os gêmeos conjugados surgem de uma divisão incompleta do óvulo. Fatores ambientais, como o contato com agrotóxicos, estão entre as principais causas para esta má formação.

Referência

O Hospital Materno Infantil de Goiânia é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) apta a realizar a separação de gêmeos siameses no País. A unidade já registrou 39 casos de siameses e 18 separações. Com a das siamesas de Piraí do Norte, serão 19.

A primeira aconteceu em 2000, das gêmeas Larissa e Lorrayne, que eram unidas pelo abdômen e pela pelve. A literatura médica mundial indica que, dentre os siameses operados, um em cada cinco sobrevive à cirurgia. De acordo com a nota divulgada pelo hospital, na unidade esse índice chega a 50%.







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