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1 23/04/2019 16:00

Cristina Pita

Reportagem Antônio Carlos, colaborou Geovanna Lorhan

A Embasa emitiu um comunicado oficial na segunda-feira (22/4) rebatendo o levantamento divulgado no domingo (21/4) que afirma que 271 municípios baianos estão consumindo água contaminada por agrotóxico. A Embasa afirma na nota que garante que “a água distribuída pela empresa está em conformidade” com os parâmetros de potabilidade da água no Brasil.

O levantamento apontou que em 32 cidades do Recôncavo, do Vale do Jiquiriçá e do Baixo Sul da Bahia, a água que chega às estações de tratamento está contaminada por algum tipo de agrotóxico. 

Do Recôncavo constam na lista Santo Antônio de Jesus, Salinas das Margaridas, Muniz Ferreira, Nazaré, Aratuípe, São Miguel das Matas, Cachoeira, Cabaceiras do Paraguaçu, São Felipe, Maragogipe, Gandu, Ipiaú, Muritiba, Jaguaripe.

Já do Vale do Jiquiriçá estão Amargosa, Jiquiriçá, Laje, Mutuípe, Ubaíra e Santa Teresinha. Da região do Baixo Sul constam da lista Maraú, Nilo Peçanha, Camamu, Canavieiras, Igrapiúna Ipiaú, Itacaré, Ituberá, Teolândia, Tancredo Neves, Nilo Peçanha, Wenceslau Guimarães.

A Embasa questiona o relatório

Em nota, a Embasa informou que as análises realizadas semestralmente pela empresa no período entre 2014/2018 apresentaram valores que demonstram a inexistência de substâncias presentes em agrotóxicos. “Isso significa que os parâmetros de potabilidade da água distribuída pela empresa estão de acordo com as determinações da Portaria de Consolidação nº 05, anexo XX, de 2017, do Ministério da Saúde”, diz a nota.

Em entrevista ao repórter Antônio Carlos, da Rádio Andaiá FM, o promotor de Justiça, Julimar Barreto afirmou que, após uma conversa informal com o gerente regional da Embasa, Gideone Almeida, ficou claro que 'essa notícia não é verdadeira'.

O promotor informou que são feitas análises a cada seis meses pela Embasa e que 'não foram constatadas na Barragem do Rio da Dona substâncias presentes em agrotóxicos “Entrei imediatamente em contato com Gideone e ele garantiu que a informação não é verídica. Notificamos a Embasa para que formalmente certifique o esclarecimento. Na nota a Embasa diz que a análise feita semestralmente em 2017 não foi contatada nenhuma alteração, isso significa que os parâmetros da água distribuída pela empresa estão de acordo com a Portaria de Consolidação nº5 de 2017, norma que determina os parâmetros de potabilidade da água no Brasil”, disse.

Apesar de não ter sido constatado alteração na água, há certa preocupação da EMBASA e do Ministério Público com os agrotóxicos. “Ao redor da Barragem do Rio da Dona existem muitas plantações e os fazendeiros podem imprudentemente usar agrotóxicos de forma exagerada podendo contaminar o recurso hídrico. Essa é a nossa preocupação”, explicou o promotor.

De acordo com Julimar Barreto, o tratamento da água é feito criteriosamente e são usados muitos produtos químicos para a eliminação de qualquer alteração de substância prejudicial. “Já presenciei o tratamento da água, e a Embasa gasta muito com os produtos químicos. Não tenho conhecimento técnico, mas pela visita que fiz foi demonstrado que eles têm um controle total da qualidade da água”, afirmou.

O promotor relatou que há uma contradição na pesquisa que relatou a presença dos agrotóxicos. “Na pesquisa constou que Itaparica recebe água contaminada, no entanto Vera Cruz não, e a água é a mesma para os dois municípios. Como um município consta que a água é contaminada e o outro que recebe a mesma água não consta na lista? Há certa contradição. A mesma coisa é em SAJ, que distribui para Dom Macedo e Varzedo, e apenas SAJ está na lista”, salientou.

Julimar Barreto aconselhou os fazendeiros e agricultores da região a utilizem com cuidado os agrotóxicos nas lavouras. “Seria fundamental não usar agrotóxicos, mas se forem usar que usem com cautela e moderação. Existem alternativas mais ecológicas no combate biológico das pragas, como o uso de substâncias naturais. Tem muitos venenos pesados que são proibidos em outros países”, orientou.

Veja nota completa da Embasa:

"Sobre investigação conjunta da ONG Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye sobre presença de agrotóxicos na água distribuída no Brasil a partir de resultados de análises registrados entre 2014 e 2017 no Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), a Embasa esclarece que a interpretação dos dados divulgados em matéria jornalística não informa que os níveis detectados nas amostras dos municípios citados estão bem abaixo do valor máximo permitido (VMP) pelo Ministério da Saúde.

Vale ressaltar que, no período considerado na investigação (2014-2017), os equipamentos e procedimentos utilizados nas análises da Embasa indicavam com precisão a presença quase nula, ou em concentração inferior ao VMP, de 23 das 27 substâncias de agrotóxicos monitoradas nas análises. Para as outras quatro substâncias, o nível de precisão era mais baixo. Em 2018, porém, laboratórios de terceiros foram contratados para verificar com mais precisão a presença dessas quatro substâncias e os resultados, já disponíveis no Sisagua, atestam que a água distribuída pela empresa está em conformidade com a Portaria de Consolidação nº5 de 2017, norma que determina os parâmetros de potabilidade da água no Brasil.

Sem considerar essa informação, a ONG Repórter Brasil e a Public Eye afirmam que a água de alguns municípios baianos está com presença de agrotóxicos acima do nível permitido. No entanto, a partir de 2018, foi possível comprovar que todas as 27 substâncias estavam em total conformidade com o exigido pelo Ministério da Saúde.

Para acompanhar os aperfeiçoamentos ocorridos, nos últimos anos, no método de controle da qualidade da água, a Embasa tem investido na aquisição de equipamentos de alta precisão para fornecer informações com alto grau de confiabilidade e, assim, contribuir para o fortalecimento da rede de segurança da água para consumo humano existente no país".

 







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